Trotsky fundou o Exército Vermelho, perdeu a luta pelo poder contra Estaline e acabou assassinado no México, em 1940. Deixou uma doutrina, a revolução permanente, que sobreviveu à União Soviética e ao próprio comunismo como alternativa política. Deixou também um método, o entrismo, que consistia em penetrar nos grandes partidos socialistas para os conduzir à revolução. Quase um século depois, vale a pena recordar ambos.
A Europa está novamente agitada por manifestações que, como todas as revoltas, conjugam de tudo um pouco. Em França, Espanha, Itália, Bélgica e Portugal, misturam-se reivindicações sobre habitação, salários, educação e custo de vida. Muitas são legítimas. Mas há quem aproveite todas para alimentar a contestação permanente. É a velha estratégia trotskista: transformar cada conflito social numa oportunidade revolucionária. Não interessa resolver os problemas. Interessa manter a revolução em marcha.
Neste Portugal adormecido, mais espantoso do que o apoio dos pequenos partidos da extrema comunista à contestação é o apoio político do secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, que tem como conselheiro Augusto Santos Silva, antigo trotskista confesso. Vejo aqui o regresso do entrismo, que parece ter conquistado por dentro o partido que Mário Soares fundou precisamente para oferecer uma alternativa democrática ao comunismo revolucionário. Como diz um amigo meu (soarista):“dantes até eram estes quem nos perseguiam”.
Luis Miguel Novais
