Em Espanha, o novo partido Democracia21 pretende ocupar o espaço liberal deixado pelo desaparecimento do Ciudadanos. Mas as eleições de 29 de novembro deverão ser dominadas pelo voto útil. Os eleitores de centro-direita que pretendem afastar os socialistas do poder tenderão a concentrar o voto no PP, mesmo sabendo que poderá precisar do Vox para governar. Não parece haver grande espaço para aventuras, sob pena de regressar o socialismo.
Neste Portugal adormecido, a lógica funciona ao contrário. O voto útil da direita pode vir a ser no Chega. Não para afastar os socialistas, que já não governam, mas para afastar um PSD que continua a governar com eles. Montenegro, recusando tirar consequências políticas da maioria parlamentar de direita, vai entregando a Ventura o protagonismo da alternativa.
Na nova disputa entre Montenegro e Passos Coelho, este último parece levar a palma da lógica. A ilógica do atual PSD é imaginar que pode dispensar os votos parlamentares da direita sem acabar por perder os votos eleitorais da direita. O resultado eleitoral com Marques Mendes deveria dar que pensar.
Luis Miguel Novais
