A velhice voltou à ordem do dia. Bill Gates recorda-o, de certo modo, na conversa com Ezra Klein sobre inteligência artificial e sobre o futuro, com a perspectiva rara de quem ajudou a pôr o computador pessoal no centro das nossas vidas. O episódio de podcast tem um título à altura: “Bill Gates’s Blunt Warning on A.I.”.
Não concordo com tudo o que diz. Mas impressiona o conhecimento directo de quem conhece por dentro este mundo e as empresas que o estão a construir. E Gates, felizmente, não acredita que possam ser deixadas a regular-se a si próprias. O perigo não é apenas uma máquina malvada de ficção científica. É muito mais real: um descuido tecnológico, amplificado por hackers biológicos ou digitais da inteligência sem bondade, pode matar muita gente.
Ouvi o podcast no esplendoroso Vale do Douro, passando pela Árvore Grande de Alijó. Um plátano impressionante, plantado em 1856, com 170 anos de idade: anterior à Primeira Guerra Mundial e de um tempo em que a electricidade ainda não fazia parte da vida quotidiana. Está ali, imóvel, enquanto o mundo muda à sua volta. Imagino o que pensa. Se pensa.
Luis Miguel Novais
