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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 13 de setembro de 2026

A Voz do Dono

O debate sobre a inteligência artificial já não é apenas sobre capacidade. Passou também a ser sobre consciência. Dario Amodei (da Anthropic) admite que não sabemos se um modelo poderá ser consciente. Sam Altman (da OpenAI) fala abertamente do problema da superinteligência artificial e da concentração de poder que pode trazer. Elon Musk (da todas) diz que o lugar reservado aos humanos dependerá, então, da relação que essa inteligência estabelecer connosco.

Tomo emprestado o título a uma velha marca da indústria musical. His Master’s Voice, A Voz do Dono. Porque mostrava um cão diante de um gramofone a reconhecer a voz do dono. A imagem é hoje mais interessante ao contrário. Durante milhares de anos domesticámos animais, seleccionámos comportamentos e passámos a decidir grande parte das suas condições de vida. Fizemo-lo para o bem e para o mal. Um cão pode viver melhor connosco do que viveria sem nós. Também pode ser abandonado, explorado ou morto. A questão nunca esteve em saber se o dono era mais inteligente. Esteve sempre no uso que fazia dessa vantagem. Do lado do dono, mesmo morto, o cão ainda escuta a sua voz gravada.

Também não vejo qualquer mal em que uma máquina venha a superar-nos. O problema é o que poderá fazer connosco depois. Já tivemos uma primeira experiência desta natureza: Hiroshima e Nagasaki ensinaram-nos que podemos fabricar coisas suficientemente poderosas para nos obrigarem a respeitar o que nós próprios criámos. Se alguma vez deixarmos de ser a inteligência dominante, que espécie de dono teremos? Seremos nós a voz?

Luis Miguel Novais

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