“Agradeço penhorado” era uma expressão educada e elegante, em uso há não muito tempo neste Portugal adormecido. Hoje, ninguém mais a usa. Estamos todos a ser penhorados, literalmente. Não cabe agradecimento. Cabe revolta.
Por um artigo que publiquei na Euromoney, no ano 2000, sobre internet banking, consigo datar o início desta barbaridade. Nessa data, o dinheiro circular pela internet, electronicamente, ainda era uma novidade. Hoje, é uma calamidade.
Não há respeito pelo dinheiro alheio: qualquer funcionário tributário, bancário, lojário ou capelário — infiltrados nos tribunais, pois então, que houve entretanto grande privatização — nos penhora, sem apelo nem agravo. Ainda lhe chamam privilégio de execução prévia. E não há quem lhes ponha cobro. Porque será?
Luis Miguel Novais
