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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 9 de maio de 2026

A Rolha

A história do espumante costuma ser contada com monges, caves e estrelas dentro do copo. Mas a personagem decisiva é mais pequena: a rolha. Sem vidro forte, a garrafa rebentava. Sem método, a bolha era acidente. Sem rolha, a pressão fugia. Não havia bubbles quando a lenda começou.

Portugal não inventou a cortiça, mas fez da rolha uma indústria. Do montado à fábrica, da árvore que não se corta à garrafa que se fecha, há aqui uma cadeia produtiva rara: floresta, transformação, exportação e valor acrescentado. A rolha é um pequeno objecto industrial com uma grande história económica portuguesa. São hoje mais de duzentas empresas e mais de mil milhões de euros em exportações. O maior produtor mundial.

Depois há a mesa. A Bairrada tem espumante e leitão. Távora-Varosa tem espumante e presunto. Duas regiões, duas bolhas excelentes, duas gorduras felizes. A França ficou com as estrelas; a Inglaterra deu o vidro forte; Portugal deu a rolha. E, quando a rolha salta, este Portugal adormecido também pode sorrir.

Luis Miguel Novais

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