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sábado, 18 de abril de 2026

Os fios do socratismo

Neste Portugal adormecido surgiu anteontem um enigmático caso parlamentar: o PS escolheu para candidato a Provedor de Justiça Tiago Antunes. E o Parlamento, ao chumbá-lo, puxou um fio que muitos julgavam já enterrado. O socratismo, afinal, ainda anda por aí. Mas já não passa, felizmente.

Factos de uma eleição frustrada: o candidato do PS, viabilizado à partida por um entendimento com o PSD, falhou a maioria qualificada de dois terços e ficou-se por 104 votos a favor, com 86 votos em branco e 36 nulos. O suficiente para mostrar que o acordo de cúpula não passou intacto pelas bancadas, nem sequer por aquela coligação que o devia ter sustentado e teria somado 149 votos a favor. Faltaram 45 votos. Todos do PSD?

O atual líder do PS, José Luís Carneiro, sai daqui claramente derrotado: eventualmente pela sua própria bancada parlamentar, mas sobretudo por ver exposta a persistência desses fios emaranhados e ocultos do socratismo. O mais revelador não foi apenas o chumbo do nome. Foi a escolha do nome.

Luis Miguel Novais

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