É uma grande alegria ter um novo Papa nascido no continente americano: depois do sul-americano Papa Francisco, o norte-americano Papa Leão XIV. A Igreja Católica não pára de inovar na continuidade. Como diz um amigo meu, por algum motivo é a mais antiga instituição do mundo.
Só tenho pena que não seja Papa Tomás. Não pela pessoa, que não é o que importa, mas pelo simbolismo de Santo Tomás de Aquino. Mas adiante. Que o nosso novo Papa é cosmopolita, poliglota, globetrotter, além da herança de Santo Agostinho, a sua Ordem formadora. Mas então Leão. E XIV. Porquê?
Fui ver (todos, todos, todos) ao monumental "História dos Papas" de Juan María Laboa Gallego (1ª edição em língua portuguesa de 2010, da Esfera dos Livros), do qual passo a citar impressivamente, à procura de uma escolha programática (que é para isso que serve a mudança de nome pelos Papas, um enigma para decifrarmos).
Leão I, foi "O Grande" (magno e santo, do século V): "pertence ao imaginário ocidental o seu encontro com Átila, o terrível chefe dos hunos disposto a conquistar Roma", o que acabou por não fazer, após esse encontro de paz. Bom sinal.
Leão II abalou a crença na infalibilidade dos Papas, criticando arduamente o seu antecessor. "Se um Papa se tinha equivocado em matéria doutrinal, os papas não podiam ser infalíveis". Hum.
Leão III, contemporâneo de Carlos Magno, sofreu um atentado, "tentaram acabar com a sua vida e de facto deixaram-no moribundo na estrada, depois de tentarem tirar-lhe os olhos e cortar-lhe a língua". Sobreviveu ainda a outra conspiração. Mas acabou bem, santo e a ratificar a sucessão do próprio imperador.
Leão IV "fortificou a Basílica de São Pedro e os terrenos circundantes com muralhas e quarenta e quatro torres, espaço que corresponde à atual cidade leonina".
...
"A paz esteja com todos vós", palavras de Cristo, que o Papa Leão XIV traz. Com o desejo de que possa vir a dizer que "está no meio de nós".
Luis Miguel Novais