Un interessante artigo de opinião na coluna Charlemagne da revista The Economist de ontem avança artilharia argumentária ultra liberal contra a denominada L'Exception Française cultural que permite que não estejamos todos a ler exclusivamente banda desenhada da Walt Disney e, de vez em quando, possamos assistir a um filme de Wim Wenders ou de Manoel Oliveira. Claro que o panorama editorial, cinematográfico e cultural em geral está dominado, largamente dominado, pela indústria cultural anglo-americana neste mundo globalizado. Mas felizmente Bruxelas, Durão Barroso (?), diz que a excepção cultural, leia-se subsídios à cultura, é inegociável no quadro de um futuro tratado de livre comércio com os EUA. Ou não?
Sou insuspeito de subsídio-dependências ou simpatias pelos subsídios, salvaguardadas as devidas excepções. E invoco, contra a opinião ultra liberal, a excepção portuguesa. O bom senso impõe a justa medida. Nem tudo é mercado: amor só se paga com amor. Como a cultura, ou os cadáveres, coisas fora do comércio.
Sem excepção portuguesa seremos muitas outras coisas, porventura boas, mas não portugueses. O que é inadmissível. E, estou certo, fará falta até aos ultra liberais.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
