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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 16 de março de 2013

O quarto resgate


Depois da Grécia, Irlanda e Portugal, a eurozona assume o quarto resgate: o do Chipre.

Novamente por imposição da Alemanha, os fundos do resgate não são exclusivamente europeus: no Chipre também intervém o Fundo Monetário Internacional, para formar a já tristemente célebre troika. O que cria uma situação bizarra: aquela que pretende ser a mais forte união monetária, a do euro, não tem fundos próprios suficientes para acudir aos seus membros? Ou tem, e a Alemanha limita-se a lavar as mãos, como Pilatos?

Esta intervenção no Chipre contém uma novidade que pode muito bem ser a sentença de morte do euro como moeda séria: congela e confisca uma parte dos depósitos bancários. E nem apenas os depósitos bancários acima de cem mil euros. Congela e confisca mais de seis por cento do dinheiro em depósitos bancários abaixo de cem mil euros. À semelhança do que foi feito no Brasil, no plano real, e na Argentina, no Corralito. 

Este Portugal adormecido, maltratado no euro e a um passo de vir a ter um Corralito, se não mesmo uma corrida aos depósitos, seria mais avisado em sair do euro pelo seu próprio pé, voltando ao escudo, renegociando a sua dívida pública externa e salvaguardando os depósitos bancários dos portugueses.

Luis Miguel Novais

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