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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

quinta-feira, 21 de março de 2013

Cavilosos

Já o Marquês de Pombal, no século 18, esconjurou "o crónico enfado em relação aos letrados cavilosos e às leis obscuras". Este Portugal adormecido não aprende: mantém os cavilosos no poder (alguns nem são já letrados, são apenas cavilosos) e as leis obscuras.

É evidente que com a decisão de um tribunal impedindo um cidadão de pensar em candidatar-se (é isso que quer dizer, afinal, uma providência cautelar decidida antes da abertura dos processos de candidatura eleitoral), está aberta a confusão, tão do agrado dos jornais, rádios e televisões que já têm com que nos entreter, e dos cavilosos que gostam de distrair as atenções sempre que cometem asneira (pobre asno, que lhe roubam o nome, insultando-o).

A resolução deste assunto não cabe já aos tribunais. E é séria de mais para ser deixada nas mãos de cavilosos que lucram com isso. A notícia hoje deixada cair sobre o regresso televisivo do primeiro-ministro que nos trouxe à miséria é oportuna de mais para não ser encarada como aquilo que realmente é: areia atirada para os nossos olhos por cavilosos. Se ainda há parlamento digno desse nome em Portugal, uma lei interpretativa sobre a questão dos mandatos autárquicos deverá ser votada quanto antes. O sim ou sopas cabe ao parlamento. Os demagogos e cavilosos afinal voam em bandos. E depois de terem destruído a nossa propriedade estão já a ameaçar a nossa liberdade.

Luis Miguel Novais

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