Numa conversa com uma eurodeputada surpreendeu-me a surpresa dela quando lhe afirmei que um ministro da Defesa tem que servir para submeter as forças armadas ao direito em tempo de paz. A afirmação parece-me uma evidência, daí a minha surpresa.
Neste Portugal adormecido temos vindo a assistir, desde o anúncio do assalto e furto de armas do paiol de Tancos, aos mais inacreditáveis atropelos àquela evidência. Agora sublinhados com o putativo envolvimento pessoal do Ministro da Defesa numa tentativa de encobrimento, que lhe é imputado por um dos arguidos naqueles crimes hediondos - porque praticados por militares traidores da confiança que neles depositámos. Ora, das duas uma: ou o ministro sabia, e não agiu; ou não sabia, e alguém lho encobriu; tertium non datur.
Em qualquer dos dois casos, se não antes, já hoje, sem falta, a insustentável indisciplina deveria ter sido eliminada. Pelo ministro, ou pelo primeiro-ministro.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
