Gosto de observar como lição de vida a ironia da composição do quadro A Procissão para o Calvário, de 1564, no qual o pintor flamengo Pieter Bruegel propositadamente nos distrai para uma cena de pancadaria quando, muito lá ao fundo na imagem, uma minúscula figura representa aquilo que realmente interessa na cena pintada: Jesus Cristo carregando a cruz a caminho da sua crucificação.
A sensação com fico dos resultados das eleições regionais de ontem em França é semelhante: a cena pintada pela imprensa é a da vitória da Frente Nacional, que medo, em especial os 49,1% obtidos em Calais. Quando o que realmente interessa é que a União Europeia morre em Calais, agora em 2015. E não morre por causa da Frente Nacional: morre porque a Comissão Europeia entendeu que faziam falta mais habitantes e, perante a imigração consentida, os Estados não estão a fechar as fronteiras externas, estão a fechar as fronteiras internas e a criar campos de concentração. E vão continuar a fazê-lo, agora até mais, carregando a cruz a caminho da crucificação da União Europeia.
Só não sei dizer se a Europa morre ou se já morreu em Calais.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
