Num mundo de ganância, como o nosso atual, a honestidade parece um conceito fora de moda.
Porém, segundo The Economist (uma revista com cuja linha editorial me identifico quase totalmente; resultando o "quase" apenas de se autoclassificarem como liberais clássicos, enquanto me autoclassifico como liberal contemporâneo), isto não é bem assim. Leio na edição de 22 de junho de 2019 (pg. 64) o resultado de um estudo de economia comportamental levado a cabo por uma equipa de investigadores da Universidade de Michigan, liderada por Alain Cohn. The Economist sumaria-o com títulos sugestivos: "Money doesn't make the world go round" (o dinheiro não faz girar o mundo - ao contrário do que canta a popular canção); "People are more honest than they think they are" (as pessoas são mais honestas do que pensam). Em suma, após uma divertida experiência de entrega de carteiras perdidas, os cientistas de Michigan concluíram que a maior parte das carteiras encontraram os seus donos... com os conteúdos intactos. O que, como a própria The Economist admite, apenas deve surpreender os próprios economistas - que ainda não adaptaram os seus modelos económicos a esta velha realidade: "Honesty makes the world go round. Without people trusting in one another, at least to a certain extent, society would fall apart" (A honestidade faz girar o mundo. Sem que as pessoas confiassem umas nas outras, ao menos até um certo ponto, a sociedade ruíria).
Afinal, o honeste vivere dos princípios dos velhos romanos ainda dá cartas. Ainda bem.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
