Dificilmente poderia haver alguma ideia mais imprópria do homo sapiens electronicus do que esta de investir, um segundo ou um cêntimo que sejam, no desenvolvimento de inteligência artificial mecanotrónica, vulgo robots, destinados a tomar decisões militares autónomas, inclusive de matar pessoas.
Por incrível que possa parecer, o assunto foi tratado esta semana no âmbito de uma conferência internacional sob a égide da Organização das Nações Unidas. Felizmente, mereceu uma forte resposta política do secretário-geral António Guterres: “armas que tenham o poder e a discricionariedade de matar sem intervenção humana são politicamente inaceitáveis e deveriam ser proibidas pelo direito internacional”.
O assunto não me parece muito distinto das armas de gás, que já foram proibidas no século 19. Infelizmente, depois de terem sido usadas. Por uma vez, António Guterres deverá poder entrar na História, tomando a iniciativa legislativa. Antes que seja tarde.
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
