Quando mestre prestigitador António Costa (nosso atual, bom, Primeiro-ministro) sacou da cartola o passe de mágica a que hoje comumente chamamos Geringonça, um embaixador de um país amigo pediu-me sugestões para a tradução do termo para a língua do seu país. Desatei a rir, admitindo que nem eu saberia dar-lhe um significado na minha própria Língua Portuguesa. Que imaginava que a fonte de inspiração para o neologismo Geringonça haveria de ser a Gerigonça (sem duplo n) a que se refere Alexandre Herculano no seu Monge de Cister. Mas não quis desenvolver mais o conceito que este aí dá, para não nos envergonhar perante um país estrangeiro.
Hoje, passado este par de anos, e observando dois dos mais altos magistrados da nação, um em exercício de funções, em pegas pela Geringonça, apetece voltar às origens, à Gerigonça de Alexandre Herculano, no século 19: ..."Ignoram tudo; tudo quanto é útil, dificil e belo na ciência humana. Contentam-se com a gerigonça de não sei de que leis pagãs com que pretendem governar cristãos. É ou não é isto verdade?"...
Luis Miguel Novais
