Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

As Pegas da Geringonça

Ontem, ouvindo o ex-presidente Aníbal Cavaco Silva invocar a mãe de todas as estranhezas da Geringonça, resultante da não reconduçào da Procuradora Geral da República pela coligação parlamentar de esquerda que sustém (por fios e pavios) o Governo deste Portugal Adormecido, em pegas logo assumidas pelo atual Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (que, felizmente, despertou do jet-lag para as indelicadezas), ocorreu-me uma historieta que se passou comigo. Assim:

Quando mestre prestigitador António Costa (nosso atual, bom, Primeiro-ministro) sacou da cartola o passe de mágica a que hoje comumente chamamos Geringonça, um embaixador de um país amigo pediu-me sugestões para a tradução do termo para a língua do seu país. Desatei a rir, admitindo que nem eu saberia dar-lhe um significado na minha própria Língua Portuguesa. Que imaginava que a fonte de inspiração para o neologismo Geringonça haveria de ser a Gerigonça (sem duplo n) a que se refere Alexandre Herculano no seu Monge de Cister. Mas não quis desenvolver mais o conceito que este aí dá, para não nos envergonhar perante um país estrangeiro.

Hoje, passado este par de anos, e observando dois dos mais altos magistrados da nação, um em exercício de funções, em pegas pela Geringonça, apetece voltar às origens, à Gerigonça de Alexandre Herculano, no século 19: ..."Ignoram tudo; tudo quanto é útil, dificil e belo na ciência humana. Contentam-se com a gerigonça de não sei de que leis pagãs com que pretendem governar cristãos. É ou não é isto verdade?"...

Luis Miguel Novais