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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Zague

Sob esta mesma  Lua cheia que já iluminou os nossos humanos avoengos, e que amanhã parece que jogará novamente às escondidas connosco, os nossos dirigentes de topo inauguraram uma nova condição, subsequente à do Mundo Líquido que apontara Zigmunt Bauman: o Mundo Ziguezague.

É Trump, senhor da Lua. Nada mais do que o presidente dos Estados Unidos da América, de longe o país dono do maior arsenal militar, e dono da moeda internacional - condição, qualquer uma delas, mais do que suficiente para ditar leis. A chegada do presidente Trump ao poder trouxe o fim do statu quo ante. Do multilateralismo vigente (plasmado, por exemplo, na por mim muito apreciada WTO - Organização Mundial do Comércio), passamos agora ao multibloquismo: enquanto em Joanesburgo reúnem em Cimeira de bloco os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com a Rússia a propor uma União dos BRICS tipo a Europeia, o presidente Trump tira, em Washington, mais uma coelhinha da cartola, num bloco transatlântico do norte, de que mal-dissera nem há uma dúzia de dias atrás: liberdade total de comércio entre Estados Unidos da América e a União Europeia; uma trouvaille cum Junker que nem as negociações do frustrado TTIP haviam vislumbrado, posta que estava do lado nunca iluminado da Lua. Num momento em que os BRICS avançavam para bingo, zague, sai do baralho uma trump card.

Não nos chegámos a aperceber do zigue, mas o mundo fez, ontem, zague.

Luis Miguel Novais

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