Riqueza, civilização e prosperidade nacional

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Democracia e propaganda

A propaganda tomou conta das nossas vidas. Aquilo que há uns anos atrás era uma excepção, passou a ser a regra. Sob as mais diversas denominações e impulsos, designadamente agora da Big Data.

Não tenho nada contra a propaganda comercial, a denominada publicidade ou marketing - se exceptuarmos, naturalmente, essa ideia tonta de que devo receber publicidade personalizada, como se o ser humano fosse padronizável ao ponto de se poder prever o que eu quero, ou posso querer, com base nas minhas escolhas ou visualizações passadas, o que chega a ser insultuoso.

Já tenho muito contra a propaganda política - não explicitada, desregrada, subterrânea, fruto do nosso tempo de oblívio, hoje denominada marketing político - uma contradição nos termos; numa palavra: uma aberração. Como se, também aqui, se tratasse de conquistar quota de um mercado. Como se a escolha dos nossos dirigentes fosse o mesmo que escolher produtos num supermercado.

Democracia é quando, no escurinho da urna, introduzimos o nosso voto individual. E o resultado, naturalmente não unânime (precisamente porque o ser humano não é padronizável), na impossibilidade de o ser, será os minoritários aceitarem (democraticamente) a regra da maioria - até às próximas eleições.

É uma bela invenção. Foi uma bela invenção, hoje deturpada pela propaganda política desregrada.

O mais recente exemplo é de atualidade: a propagandeada criação de um movimento pomposamente chamado The Movement por um spin-doctor (essa horrorosa invenção de gente que só leu Maquiavel e pensou que, como aquilo que este disse ao Príncipe era mesmo assim, o melhor mesmo era aplicá-lo, ganhando batalhas políticas por meio da utilização da propaganda sem escrúpulo - hoje denominados agentes de comunicação, são há muito conhecidos por manipuladores). Paradoxalmente, ou não, o motivo que The Movement anuncia ao apresentar-se, note-se, até é bom: combater politicamente o Partido de Davos - que, realmente, degenerou, se é que alguma vez deveria ter existido. O modo é que mostra que, afinal, virá a ser mais do mesmo, apenas com outras cores de propaganda política, para conquistar quota de mercado.

A Democracia não necessita de propaganda. O que nos faz falta é mesmo Educação para a Razão. Votar em quem tem Razão (em quem cada um de nós pensa que tem Razão), e logo se verá se estamos do lado da maioria (ou não), é que é a grande invenção a que podemos chamar Democracia, instrumento de Paz.

A propaganda política tem que ser regrada. Escolher quem nos dirige não pode ser o mesmo que escolher um sabonete. Sejamos sérios: não é!

Luis Miguel Novais