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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 10 de junho de 2018

Portugal, Portugais

O Presidente da República deste Portugal adormecido, em Ponta Delgada, foi directo ao assunto: "teceu hoje elogios aos "muitos Portugais" que garantem "riqueza" ao país e frisou que não pode ser tolerada discriminação nesta diversidade identitária", segundo narra a Tsf Notícias. Uma verdadeiramente boa surpresa neste 10 de junho, dia de Portugal (sem plurais). Por um momento, como num sonho, acreditemos que se extinguirá brevemente o lisboetismo centralizador em que vivemos desde a descolonização, que tem impedido a regionalização continental. E, deste modo, impedido a prosperidade nacional.

Basta ler as Crónicas de Fernão Lopes para compreendermos que não se centrava, nem concentrava, em Lisboa o Portugal de antes da dinastia de Avis e, consequentemente, com um território nacional que não se havia ainda expandido por via dos Descobrimentos, ou seja, um território sensivelmente equivalente ao atual. É quanto resulta expressamente, por exemplo, do Prólogo da Crónica de D. Fernando (na deliciosa grafia original da edição da Livraria Civilização): "Avia elRei em cada huum ano de seus dereitos reaaes oito çemtas mil livras, que eram duzentas mil dobras, afora as remdas da alfamdega de Lixboa e do Porto". Já então, por conseguinte, o resto de Portugal não era só paisagem - ao contrário do que afirmam, em erro crasso, os atuais centralistas lisboetistas.

Ainda ontem, no Porto, no meu jantar de 31 anos de curso, comentávamos: aqueles que se foram forçados para Lisboa, no brutal movimento centralizador dos anos 90 do século XX, já começam a regressar às suas origens. Era o que faltava, num mundo interconectado, Portugal ser apenas Lisboa e "os Portugais" paisagem. A regionalização continental já vem, forçosamente, a caminho. Como bem inteligentemente captou já o presidente das selfies da "diversidade identitária" deste Portugal único, apenas adormecido.

Luis Miguel Novais

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