E pronto, a partir de hoje não será apenas este Portugal adormecido a viver embebido em futebol. Com o começo da World Cup 2018 (assim escrito, em língua franca, com desnecessidade de tradução), estaremos todos a assistir a jogos de futebol - mesmo aqueles mais intelectuais, como eu próprio, que não o têm por hábito, não deixaremos de dar uma espreitadela, pelo menos aos momentos mais espectaculares ou emocionantes; nem resistiremos, vá lá (confessemo-lo sem pejo), a televisionar um ou outro jogo completo, abstraindo-nos temporariamente, pelo espaço de uma horita e meia, das nossas locubrações mais profundas.
Aqueles que apenas se interessam pelo jogo da política também não escaparão: basta ver o onze inicial hoje publicado com humor pelo Politico europeu, colocando a Sra. Merkel a guarda-redes (a minha posição futebolística na infância quando, como quase todos, ainda jogava futebol fora da bancada). Seria, de resto, bem interessante observar equipas da World Cup em paridade de género - e quem disse que futebol não é política?
World Cup é, para o que realmente interessa, um encontro disputado entre nações. Viril, ambicioso, meritocrático, mas com regras. Um sucedâneo das justas e torneios medievais. Um excelente substituto da guerra. Pensando bem, deveria até ser obrigatório para todos, em nome da paz mundial.
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
