A democracia representativa saiu dos trilhos, passou de demo cracia a cracia do demo. Para gáudio do mafarrico e dos seus fautores, aqueles que querem o poder porque sim, e não para fazer o bem. Os exemplos abundam, agora reforçados pelos governos do frankenstein espanhol e da indizível aliança de extremistas em Itália.
A ideia de democracia representativa até era boa: em vez da democracia popular, sujeita às vontades difusas das turbas e seus agit-prop, a verdadeira democracia seria aquela em que representantes eleitos definiriam o proveito comum; na normal impossibilidade de consensos, optava-se pela regra da maioria e, com alternância de poder, proporcionalmente, tudo haveria de correr bem, para todos. Mas isto era quando, no Paraíso, os princípios ideológicos impediam alianças contra-natura. Hoje, os agit-prop são...os representantes. Capturaram a própria ideia e o modo de funcionamento, à boa maneira do mago Maquiavel, do intrusismo maoista e de, sim, Hitler - que também foi eleito.
Este modelo falhou, vamos ter que reformulá-lo: a craciadodemo não é democracia.
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
