Riqueza, civilização e prosperidade nacional

terça-feira, 19 de junho de 2018

Campos de Concentração XXi

Lamentavelmente, a História (assim com maiúscula, à deusa greco-romana) deste início do século vigésimo-primeiro após a encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, poderá vir narrar que das mais brilhantes mentes que governaram a União Europeia e, bem assim, os Estados Unidos da América, não se lhes ocorreu outra coisa melhor para responderem aos movimentos migratórios, de Sul para Norte, do que emularem os, tão conhecidos quanto estúpidos, campos de concentração de seres humanos do século XX - se bem que, desta feita, pelo menos por enquanto, não com o intuito de extermínio, apenas com o, nem sempre sério, pretexto de triagem entre refugiados por motivos politicos ou económicos.

Tomemos, por paradigma, este Portugal adormecido, cujos dirigentes integram o Conselho da União Europeia: foi um destes dias o nosso primeiro-ministro à Califórnia, Estados Unidos da América, e disse: venham investir na agricultura no nosso país, aproveitando o investimento público no regadio que fizemos no Alqueva, Alentejo, que tornou aráveis vários hectares até então impraticáveis. Não disse, porém, que as dificuldades em encontrar mão-de-obra para arar essas terras agora férteis não é pouca, é mais do que muita.

Serã esse mesmo nosso primeiro-ministro quem irá dizer no Conselho da União Europeia da próxima semana que o melhor que há a fazer aos refugiados económicos que vêm, do Centro de África pelo Mediterrâneo, à procura de trabalho, é... metê-los num campo de concentração?

Luis Miguel Novais