Lágrimas, lágrimas de crocodilo são as vertidas em Portugal pelos novos cortes no orçamento da União Europeia. Na verdade, a nível europeu, os últimos orçamentos plurianuais já vinham refletindo, desde a crise de 2007, desinvestimento nas políticas agrícola, de pescas, e de coesão económica, social e territorial. Não colhe, por isso, a desculpa, agora, do Brexit. Por esta via de abandono do meio rural e da coesão territorial, já vinha a União Europeia, mesmo com o Reino Unido como contribuinte líquido para o orçamento.
Prejudicadas mesmo, e que bem podem verter lágrimas genuínas de injustiça, são agora as regiões da Europa cujo produto interno bruto se encontra 75% abaixo da média europeia, as chamadas regiões menos desenvolvidas. Das cinco portuguesas: o Norte, o Centro e o Alentejo. A Área Metropolitana de Lisboa, de um lado, e o Algarve, do outro, são as duas regiões portuguesas que não são afectadas por estes novos cortes, hoje anunciados; pela simples razão de já não beneficiavam dos fundos de coesão - por já não se encontrarem nas regiões europeias menos desenvolvidas, felizmente.
E depois ainda dizem, da capital deste Portugal adormecido, que não querem a regionalização política (preferindo manter os presidentes das CCDR sob a tutela do Governo, sem poder de reivindicação revestido de legitimidade política regional). Como diz o povo: pudera, falam de barriga cheia.
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
