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quinta-feira, 17 de maio de 2018

A nova Inquisição

Na página 4 do L'Osservatore Romano de hoje, um título: "nenhum documento chega para eliminar o preconceito".

A reflexão não é, evidentemente, nova: a falsidade propagandeada ganha estrada, torna-se verdade por ser do conhecimento comum. Em todo o tempo, agora em todo mundo, enredado na web. Rapidamente. Para sempre?

Documento é, hoje, por exemplo, o resultado de uma pesquisa na web (num dos motores de busca), como antes foi a fotocópia de um artigo de jornal, como aquele, outrora em papel, hoje digital e acessível em todo o mundo interligado.

Nem todos os documentos contêm verdade. Mas todos se fazem à estrada, formigam na web. Criam preconceito, que se torna verdade. Que nenhum outro documento chegará para eliminar. O facto existe, dirão os jornalistas e alguns outros estoriadores. E a verdade? É outro facto, contrário - também merece notícia. E assim se constrói o preconceito "que nenhum documento chega para eliminar".

A reflexão citada do jornal do Vaticano incide sobre a outrora chamada Santa Inquisição. Mas vale hoje, como outrora, para a nossa reputação. A de todos e cada um de nós, que podemos, em qualquer momento, ser condenados por telejornal, jornal ou outro qualquer meio de comunicação social dos que permanece a formigar pela web, espalhando-se sem apelo nem agravo, nem sombra de verdade.

Para sempre? Se tudo correr bem, não: voltaremos ao preconceito da presunção de inocência.

Luis Miguel Novais

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