Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sexta-feira, 4 de maio de 2018

A crueza do palhaço

Uma querida pessoa, que eu muito admiro (e amo), insurgiu-se por eu ter chamado palhaço a Ricardo Araújo Pereira (aqui). Conviemos em que o sentido da minha palavra era o de comediante, sem qualquer sentido pejorativo ou ofensivo para os palhaços profissionais, ou para o dito.

Mesmo assim, a questão de fundo mantém-se, para mim. Bob Dylan, prémio Nobel da Literatura. O trabalho de uma bela singela capela ser igual ao de uma românica catedral. O trabalho de Ricardo Araújo Pereira ser o de um escritor representativo da língua portuguesa de Portugal. Serei apenas eu, mas já com 20 anos de idade, pelos anos de 1983, um dos meus poemas musicados cantava assim: estará tudo louco? Terá sido tudo em vão?

Nem o amor por esse ente querido me impedirá de continuar a pensar que, mesmo que Ricardo Araújo Pereira possa por alguém ser considerado um colega de Camões, aquele comediante não transpirou intelectualmente o suficiente para me representar, nem aos outros pobres palhaços escritores contemporâneos de língua portuguesa de Portugal com obra publicada; na Onu, ou onde quer que seja.

E, está bom de ver, nem sou dos que me levo a sério ao ponto de querer ter uma página na wikipedia. Como já dizia um belo palhaço profissional italiano: preferisco ridere.

Luis Miguel Novais