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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 21 de abril de 2018

O peixe pela boca

Quando, por 2007, decidi retomar a minha atividade literária (e publiquei em livro o Virados para a Lua), surgiu a primeira grande crise mundial deste século XXI. Claro que uma coisa nada teve que ver com a outra. A culpa não foi certamente minha. Nem sou suficientemente vaidoso para ser prolítico. A ligação existe é com o nascimento do Portugal Adormecido, que faz este ano dez anos, por ter começado já em plena crise, em 2008. Veio a crise e senti que não estávamos preparados. Que, como nação, não tínhamos dirigentes à altura. Que ainda ia correr mal (como, infelizmente, correu). Aproveitei a existência do blogger para começar a desabafar politicamente, neste jeito de cartas abertas que é o Portugal Adormecido. Como qualquer cidadão normal de então, impotente perante uma conjuntura externa desfavorável, extremamente, ademais afrontada por líderes incompetentes, extremamente, decidi intervir pela escrita - extrema distinção da humanidade, em relação à animalidade.

O Portugal Adormecido começa com uma reflexão de um cidadão que havia sentido o mesmo que eu, no seu tempo: Oliveira Martins (que, no seu tempo, havia escrito o Portugal Contemporâneo), e a fundamental pergunta fundacional sobre se Portugal dispõe de recursos bastantes para sobreviver como nação autónoma (Ver aqui). Ao longo dos quase dez anos de Portugal Adormecido fomos encontrando uma série de argumentos favoráveis, com a quase permanente excepção dos recursos humanos de natureza política: os nossos maus prolíticos é que nos estão a matar.

Como em tudo, eis que chega a hora da verdade, pela boca do ex-primeiro-ministro José Socrates (citado pelo jornal Expresso de hoje): "A única motivação ao longo da minha vida que encontro para a atividade política é essa: a vaidade". Pois.

Luis Miguel Novais

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