Tenho assistido em silêncio à polémica sobre a partida do parlamento do ex-primeiro-ministro deste Portugal adormecido, que vai dar aulas como "professor catedrático convidado". Coisa risîvel para muitos, óbvia para outros tantos. Polémica que apenas sucede porque, na realidade, Pedro Passos Coelho nunca foi professor (além de ser conhecido que foi um aluno cabulão), e nunca teve bem uma profissão que não fosse a de prolítico (não é gralha).
Naturalmente que ganhou experiência como primeiro-ministro. E que interessa à sociedade que possa partilhar essa experiência com alunos - quem sabe se um deles não virá a sê-lo também, e deste modo, com um bom professor, não terá de nos massacrar repetindo todos os erros que este cometeu como primeiro-ministro.
A questão não é essa, porém. Sendo Pedro Passos Coelho um prolítico da minha geração, enquanto eu andava a estudar na universidade, ele não, enquanto eu andava a estagiar, ele não, enquanto eu andava a trabalhar, ele estava a "fazer política". E é dessa cátedra que os alunos dele vão localizar o velho lugar do mastoideu.
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
