Quando foi estabelecida a possibilidade de aproveitamento da eletricidade, não se lhe conhecia utilidade prática. Para que serviria a eletricidade? Alguém pensou que seria útil para a medicina: para os tratamentos de melancolias (estados morbosos se dizia então do que hoje chamamos genericamente depressão), nada como uns choques elétricos. E há diversa literatura médica sobre o assunto no século 19.
Visto de hoje, dá calafrios pensar que pessoas fossem submetidas a choques elétricos em nome da sua saúde. Mas que dirão de nós os vindouros quando pensarem na ansiedade que nos causa o imediatismo da informação transmitida constantemente através de nada menos do que pela via elétrica? As notificações constantes dos telemóveis. Os meios de comunicação social em modo voragem de informação pela rádio, televisão e internet. As reputações atropeladas por verdadeiras e falsas notícias.
Do mesmo modo que aquela ideia brutal foi abandonada, haveremos de pôr de lado esta também. A questão é se devemos esperar para regular?
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
