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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

domingo, 11 de março de 2018

Almacave e Assunção

Casei com a Isabel na igreja de Almacave e, talvez por isso, tenho investigado sobre a tradição histórica e popular sobre aí se terem realizado, ou não, as primeiras Cortes de Portugal, as tão afamadas (e por alguns negadas) Cortes de Lamego. O assunto veio-me à mente por, hoje, nessa encantadora cidade de Lamego, se ter realizado o congresso do Cds.

Estou convencido de que as Cortes de Lamego tiveram lugar. Ocorreram a seguir à morte do infante D. Henrique, que morreu na infância e era o legítimo filho mais velho de el-rei D. Afonso Henriques com a rainha D. Mafalda. O recém-estabelecido Portugal ficara sem varão sucessor. A próxima na linha de sucessão era uma mulher, D.Urraca, mas os tempos eram de Lei Sálica: o próximo rei tinha que ser um homem. Daí, segundo modestamente presumo, o texto da nossa primeira Constituição, das Cortes de Lamego, em Almacave. O qual veio a público apenas no século 17. E publicado com muitas reservas. Mas serviu, sobretudo, para três coisas: afirmar a portugalidade após 1640; permitir a ascensão ao trono da primeira mulher rainha de Portugal sem ser pelo marido (D. Maria I, em 1777); e fixar aquela que eu chamo a maldição de D. Urraca que, a partir daquele dia em Almacave, podia muito bem ter sido a nossa primeira mulher rainha (sucedendo a seu pai, e continuando a sucessão dinástica do recém-estabelecido Portugal), não tivesse depois nascido um seu irmão varão, que veio a suceder a D. Afonso Henriques como D. Sancho I.

Se conseguir vencer a maldição de D. Urraca (que, já agora, como é sabido, veio a ser rainha, não de Portugal por sucessão, mas de Leão, por casamento), e o Cds deixar de ser o partido dos fidalgos, Assunção Cristas pode muito bem vir a ser a primeira mulher eleita primeira-ministra em Portugal.

Luis Miguel Novais

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