Se há coisa em que somos mesmo bons há séculos, em Portugal, é no têxtil. Mais propriamente, no chamado Vale do Ave, no Norte de Portugal, região onde a indústria têxtil já exportava para Roma nos tempos de Cristo, como documenta, por exemplo, Plínio, na sua História Natural.
Em 2004, acompanhei profissionalmente a problemática que se poderia ter criado no Vale do Ave, e com ele em todo o Portugal, devida ao impacto da concorrência chinesa nesta indústria, que deveria ter sido arrasadora pelo impacto da diminuição de tarifas aduaneiras resultante da adesão da China à Organização Mundial do Comércio. Deveria mas, felizmente, assim não sucedeu (e não porque eu tenha algum mérito a reclamar). Por exemplo, em "tecidos turcos" de algodão, a produção portuguesa tem mais de 80% de quota de mercado da União Europeia (fonte: Eurostat), e é bem reconhecida a qualidade e dinâmica exportadora deste setor industrial. Não são apenas nuestros hermanos que se deslocam de propósito à raia para comprar atoalhados portugueses; em Nova York, e por esse mundo fora, o Made in Portugal nestes produtos é top.
Perante estes dados, de todos tão conhecidos, e ainda ontem reafirmados pela associação do setor, que anunciou um aumento recorde de exportações em 2017, a minha crítica vai para o Governo deste Portugal adormecido: conhecidas as nossas aptidões agrícolas para produzir algodão a sul do Tejo, porque estamos ainda a importar esta matéria-prima base daquela indústria?
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
