Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Entre montes e fragas

Hoje assisti ao congresso do Partido Social Democrata (Psd) pela televisão. É um congresso importante para este Portugal adormecido, carecido como de pão para a boca de uma oposição de centro-direita ao centro-esquerda dominante, corporizado no Partido Socialista e seus apoiantes de ocasião. Não poderia assistir pessoalmente a esse congresso, mais não fôra, porque me desfiliei do Psd em 2014. Ontem apenas pude seguir o congresso pela rádio. Hoje pude segui-lo pela televisão. E ainda bem.

Não me chocou ver o apoio, tímido mas revelador, de uma boa metade do congresso a Luis Montenegro. Este é, naturalmente, hoje, após a saída de cena de Pedro Passos Coelho, o líder da facção que puxou o Psd para a direita; quase até à fusão com o PP de Paulo Portas. Corporizam, com alguma inteligência, uma direita dos interesses pragmáticos. Uma direita que estaria até bem noutro lado, se não fossemos quem hoje somos: um país médio reduzido à sua insignificância europeia; um país cuja independência em perigo já foi apodada pelos mesmos de "protectorado". A mim, não me convencem. Penso que devemos fazer melhor, mais inteligentemente, para garantirmos a independência nacional.

Já me chocou, e muito, o relevo que pela televisão vi atribuído a Elina Fraga, sentada bem ao lado do novo presidente do Psd, e por este integrada na sua comissão política permanente, como afirmou. Trata-se da digna sucesora e cúmplice de Marinho Pinto na destruição de uma Ordem dos Advogados Portugueses integradora. O seu prestígio político não a recomenda para puxar o Psd para o centro-direita, como era necessário e parecia até, pela rádio, que poderia vir a acontecer.

Ontem, pela rádio, ouvi Rui Rio dizer que iria revivescer o partido e dar prioridade política nacional à absolutamente necessária reforma do sistema de administração da justiça. Se Elina Fraga é a sua arma secreta para tal, como parece indiciar o lugar de destaque que hoje vi pela televisão, a mim, parece-me começar com o pé esquerdo.

Por este caminhar, não sou eu quem se vai refiliar no Psd. E duvido que esteja só.

Luis Miguel Novais