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Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Ser advogado, hoje

Por uma daquelas coincidências, a minha cédula profissional de advogado diz que hoje é meu dia de aniversário profissional. Ver uma manifestação na rua de numerosos advogados togados por motivos sindicais, como a que hoje está nos telejornais, não estava sequer nos horizontes do congeminável quando comecei o exercício privado desta função de interesse público, em 1987.

Naquela altura, havia uma profissão assente nos ideais de cavalaria, de profissionais liberais. Hoje, há uma profissão mista, parte assente naqueles ideais (na qual me incluo, e não é por ser velhinho), enquanto a outra parte professa ideais de infantaria, exercendo de modo assalariado e dependente. Foram as reivindicações desta última parte da profissão que hoje se manifestaram na rua (nas quais não me revejo, porque sou profissional livre, do que não abdico, por considerar, mesmo passados todos estes anos e mudanças do mundo, que é o único modo de cumprir a função).

Não vai ser fácil evitar a cisão. Enquanto ela não vem, imponho-me a lição que levou os regimentos de cavalaria de antanho a transitarem para regimentos de dragões: usar o cavalo para transporte, e combater a pé. Para não terminarmos todos submetidos às regras da infantaria.

Luis Miguel Novais

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