Riqueza, civilização e prosperidade nacional

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Condomínio Jerusalém

A memória colectiva goza dessa característica singular: não existe. Se existisse, não haveria guerras. Aquilo que guardamos na História são lampejos. Um desses acaba de suceder: Donald Trump ganhou o seu lugar na História por ser o primeiro estadista cristão a reconhecer Jerusalém como a capital dos judeus.

As Nações Unidas são uma instituição jovem e singular, produto do século 20. O reconhecimento de Israel, por exemplo, precedeu o de Portugal (já então com uns bons séculos de História às pernas e às costas). Já então, em 1949, o Reino Unido pugnava pelo reconhecimento deste seu velho aliado pelas Nações Unidas como Estado… antes do reconhecimento de Israel. Foi o único dos membros do Conselho Permanente de Segurança que se absteve, Israel foi reconhecido como Estado-membro com o voto favorável dos demais (e Portugal só o foi passados uns bons anos, em 1955). Nenhuma referência foi feita então à capital de Israel (já agora, no Direito Internacional as capitais não são reconhecidas, são assunto interno). Mas uma referência foi feita a Jerusalém, pelo Reino Unido, em 1949: que, mesmo com o reconhecimento de Israel, Jerusalém deveria continuar a ser considerado pelas Nações Unidas como território internacional.

Jerusalém é uma metáfora das Nações Unidas do século 21. A Palestina, ainda (hoje), não foi reconhecida pelas Nações Unidas. Ierushalaim é uma subida. Lá diz a Bíblia: “Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém…” (Salmo 137).

Luis Miguel Novais