Riqueza, civilização e prosperidade nacional

sábado, 18 de novembro de 2017

À espera que chova

Uma andorinha não faz a primavera, é costume dizer; mas estas andorinhas que agora rondam a minha varanda, para nidificar em pleno mês de novembro, não parecem conhecer a nossa velha divisão das estações do ano (pasme-se, que já se usava no tempo dos romanos de antes de Jesus Cristo).

Em conversa publicamente teledifundida com a jornalista Alexandra Costa Martins (na quinta-feira passada, por ocasião da Revista de Imprensa, no Porto Canal), debatemos a gravidade da situação. E dizia eu, já então, que o Governo deste Portugal adormecido tem de assumir a situação de seca, e tomar medidas correspondentes a minorá-la, sem esperar que seja a Mão de Deus ou a Mãe Natureza, a resolver aquilo que nos pertence resolver. Que a própria Comissão Europeia já instalou um observatório da seca: onde o norte de Portugal vem quase todo assinalado a vermelho gritante (aqui). Que temos de deixar de olhar para o problema da captação de água exclusivamente baseados nos rios, nascentes e regeneração, e tomar medidas de aproveitamento da água do mar, através da instalação das correspondentes unidades de dessalinização da água; como já se faz na ilha de Porto Santo (para não ir mais longe), há praticamente 40 anos (ver aqui). Investimento, com o potencial de salvar vidas, que não é para deixar para depois, já que demora tempo a tornar operacional.

O tempo é de primavera fora de época, verão de pós-S.Martinho. Mas não dá para folgar com castanhas e vinho. Esta seca que nos assola e não enche albufeiras, nem alimenta campos e eiras, ainda vai dar muito que falar. E o Governo sem agir, apenas a observar. Que seca.

Luis Miguel Novais