Riqueza, civilização e prosperidade nacional

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O fogo mudou

O vento mudou e ela não voltou, reza a canção. Um furacão pode mudar tudo, também.

Quem vive o sucedido desde domingo passado no noroeste da Península Ibérica, com fogos apocalípticos, ventos sufocantes e demais sinais do tipo armagedão bíblico (sendo de lamentar 36 vidas colhidas, com luto nacional), pode pensar que o furacão Ophelia é uma excepção. Ou não. Eu penso, como o primeiro-ministro deste Portugal adormecido, que temos que mudar. Tudo. Desde as queimadas para pasto que viram descontroladas, aos matagais abandonados junto a casarios, aos cigarros deitados pela janela dos carros, ao tratamento dos pirómanos. Tudo. Para quem, como nós, vive paredes meias com uma floresta, que cobre um terço do território de Portugal, nada mais nos resta senão mudar (ou deixarmo-nos morrer a olhar).

Entre as demais medidas adequadas de administração interna, aguardo a imediata criação de uma polícia específica para prevenir os fogos (os Vigili del Fuoco em Itália, por exemplo, são uma realidade antiga de âmbito nacional). Não podemos mudar a natureza, mas podemos adequar os comportamentos sociais. E se até para os alimentos temos uma ASAE, porque não havemos de ter uma Polícia do Fogo?

Luis Miguel Novais