Esta manhã, de nevoeiro por sobre o verde e o alaranjado outonal, apanhou-me como viajante (não caixeiro, nem turista) em Martillac, a sul de Bordeaux, no sul da França.
É uma manhã de ressaca (não do bom vinho daqui, que não a dá). Pela má condução política e jurídica de um processo que juristas formalistas (os do corpo das leis), liderados por Rajoy, deixaram descambar numa declaração formal de independência da Catalunha feita por 70 gatos pingados deixados à solta num parlamento sem quórum, onde até a independência da lua poderiam ter proclamado, que daria o mesmo – em termos de legitimidade jurídica ou política. Tudo, de ambos os lados, favorecendo a violência e desgraça latentes. O que me leva a invocar a lição de Montesquieu, tendo no espírito o povo catalão que se vê envolvido nesta lamentável situação, sem sequer ter sido chamado às urnas para votar um referendo legítimo (mesmo que fôra meramente consultivo); sem ninguém saber, até ao dia de hoje, se a maioria quer mesmo ser independente do resto de Espanha.
Martillac é a terra natal de Montesquieu, que foi o feliz autor do Espírito das Leis; aquele que, de advogado da cepa, veio a legar-nos essa boa lição sobre a importância prevalente do espírito sobre o corpo; nas leis, como no vinho, como na vida.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
