Não fôra trágico, seria cómico: os nossos narizes ainda se não desabituaram do rasto fumarento do furacão nomeado segundo Ophelia, a afogada de Shakespeare, famosamente "incapable of her own distress" (que levou à mimética demissão, de hoje, da ministra que o vento levou lavada em lágrimas), estamos em luto nacional, mas, mesmo assim, a respeitável Polícia Judiciária Militar reporta, honestamente, como se deve, no dia de hoje, que uma denúncia anónima indicou o local, na Chamusca, onde se encontraram abandonadas as armas desaparecidas de Tancos (nem vou dizer, por pudor, a que distância) – armas estas que o Senhor Ministro da Defesa Nacional, ainda há um mês atrás, não sabia se tinham sido retiradas do local.
O anterior relato cruzou-se-me com a escrita do livro que conto publicar para o ano, de onde saltou um texto original português do século 18 (nem vou dizer de quem, mas parece-me à altura do bardo inglês), sobre um ministro de então, de plena aplicação mutatis mutandis, e que reza assim:
“acabou por poder beneficiar Portugal a partir deste incidente, renovando e recompondo a tropa, até aí descurada, passando-a de um estado, por assim dizer, de ludíbrio, para a disciplinada e aguerrida que hoje é, de entre as mais beligerantes e meritórias que há na Europa”.
Luis Miguel Novais
Total:
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
