Numa daquelas conjugações interestelares inusitadas, o Kosovo impede a independência da Catalunha.
No rol dos poucos países da União Europeia que não reconhecem a declaração de independência do Kosovo encontra-se a Espanha (ao contrário deste Portugal adormecido). Premonição ou boa previsão diplomática, o certo é que este facto mantém agora unido o Reino de Espanha.
Com efeito, a Federação Russa, sempre atenta, veio ontem, mais uma vez, criticar os países da União Europeia que reconheceram a independência do Kosovo, mas agora assacando-lhes as responsabilidades pelo agora sucedido na Catalunha, por efeito mimético – e apontando-nos a contradição insanável.
Deste modo, sem reconhecimento da Rússia, a República da Catalunha só por engano poderá ser reconhecida internacionalmente. É praticamente impossível a Catalunha vir a integrar as Nações Unidas. O Reino da Espanha dispõe de luz verde para tratar a questão internamente.
No tabuleiro internacional, a estratégia da União Europeia diz outra vez je ne sais pas - e assim continuará, perigosamente indecisa, até formarmos (será desta?) os Estados Unidos da Europa (vizinhos da Federação Russa).
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
