Puigdemont (na Catalunha/Barcelona) está a perder, Zaia (no Veneto/Veneza) está a ganhar.
O primeiro apostou num Estado independente, em ruptura constitucional; o segundo numa região autónoma fortificada, no quadro constitucional. O primeiro apostou num referendo ilegal, chumbado pelo tribunal constitucional espanhol, e numa minoria nas ruas, hoje; o segundo apostou num referendo consultivo, validado pelo tribunal constitucional italiano, e numa maioria nas urnas, hoje.
A Europa ganha com Zaia, perde com Puigdemont. Amanhã este vai para a prisão. Zaia vai amanhã para o seu parlamento regional reivindicar 23 pontos de autonomização face a Roma (e Bruxelas), em poderes regionais concorrentes ou exclusivos – respeitando aqueles que, naturalmente, têm de ser nacionais ou supra-nacionais – numa Europa das Nações (mais cedo ou mais tarde, confederada).
A Europa das autonomias regionais (em concorrência com as soberanias nacionais confederadas do tipo Estados Unidos da Europa), é uma inevitabilidade – similar aos Lander alemães (uns são Cidades-Estado, outros são Territórios-Estado, todos confederados); está apenas pendente de Macron, que despertará inevitavelmente para esta realidade (interessante para a França, outrora centralista, de futuro confederadora – mais não fôra porque dispõe agora, no pós-Brexit, do único veto europeu no Conselho de Segurança das Nações Unidas).
Para colocar as coisas em proporção regional relativa, apenas no que toca às três realidades regionais mencionadas, convirá recordar que, segundo os últimos dados disponíveis (de 2015, do Eurostat), a Catalunha produziu um PIBa (Produto Interno Bruto Anual) de 204 189 milhões de euros, e o Veneto um PIBa de 151 634 milhões de euros - este Portugal adormecido produziu um PIBa de 179 540 milhões de euros.
Os quadros políticos envelhecidos são como casacos apertados. Os botões estão mal colocados. Engordámos, já não nos servem.
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
