Defendo que um Portugal equilibrado deveria ter a sua capital política em Coimbra. Deste modo, teria as suas duas capitais económicas, Lisboa a Porto, a lutarem entre si pela criação de riqueza e prosperidade, em competição pela economia e finanças; e não, como hoje infelizmente sucede, pela dependência política.
Não faríamos mais do que a nossa obrigação racional de gestão da coisa pública, tomando o exemplo bem-sucedido da Suíça, onde a capital política é Berna, equidistantemente situada entre as duas capitais económicas, uma a norte e outra a sul, Zurique e Genebra.
Enquanto isto não sucede (e acredito que sucederá, um dia), o modo mais racional de gerir este Portugal adormecido é evitar a dependência do Porto para Lisboa. Só com estes dois motores económicos e financeiros sobrevivemos independentes; como, de resto, demonstrou à saciedade a mais recente crise que atravessámos. O Porto dependente de Lisboa é como pretender atravessar o oceano atlântico num avião com apenas um motor.
A eleição de Manuel Pizarro como presidente da câmara do Porto seria, por isso, como a falha do motor único, com o inerente risco exacerbado de despenhar o Porto independente, de más consequências para Portugal todo. Creio que não sucederá: o povo do Porto (no qual me incluo) preza demais a sua independência de Lisboa, e merece-a. Mas o resultado das eleições deverá ser fragmentado. O candidato do partido em que militei (o PSD) é uma peça importante (e, mais uma vez, um erro político). Mas Rui Moreira, o candidato que se apresenta como independente, é uma peça fundamental. Tenho estima e consideração por este. Vou votar nele, para não correr o risco de ver o Porto dependente.
Luis Miguel Novais
Riqueza, civilização e prosperidade nacional
