A Dinamarca, Estado da União Europeia, dá o exemplo: está oficialmente criada uma embaixada na Cailfórnia, Estado dos Estados Unidos da América, para fazer diplomacia económica direta com os grandes grupos aí sediados, do género Google e Apple.
O assunto é velho como a diplomacia; assim de repente, recordo, por exemplo, legações de caráter económico portuguesas (muito pré-União Europeia) no Báltico, por causa do vinho do Porto; ou, claro, consulados-gerais de Portugal fora das capitais políticas; ou até, evidentemente, consulados honorários espalhados pelo mundo.
O que surge como diferente é a postura de um pequeno ou médio país, cuja produção económica é (como a nossa) inferior à de alguns conglomerados empresariais, que estabelece uma embaixada em Palo Alto, que nem sequer é a capital política do Estado da Califórnia. A velha diplomacia Estado a Estado cede definitivamente à nova diplomacia, naturalmente não excludente da anterior, Estado a grupo empresarial. Não no modo (basta pensar na nossa relação com a Autoeuropa, que cada vez que dá um espirro tememos uma constipação), mas no nível de representação.
Trata-se de um acto deliberado da Dinamarca, que na imprensa internacional já vem denominado “Techplomacy”. Mas a mim parece-me que estamos a falar de muito mais do que apenas Dinamarca goes to Silicon Valley; estamos a falar de infindas variáveis, dependendo dos interesses económicos de cada país.
Até porque este acto dinamarquês ultrapassa a diplomacia unificada (supostamente) dos próprios blocos União Europeia e Estados Unidos da América. E, bem assim, retira importância a embaixadas nas capitais políticas.
Portugal adormecido não pode deixar de tomar exemplo, ou ficar a ver a bola.
Luis Miguel Novais
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Riqueza, civilização e prosperidade nacional
